Publicado por: andreroca | Agosto 29, 2008

Planejamento Familiar: A Laqueadura como opção

Parte 1


Parte 2

Publicado por: andreroca | Agosto 29, 2008

Laqueadura – trabalho final

O exercício número 9, o último do curso Jornalismo 2.0 do Knight Center, foi o mais complexo de todos. Tínhamos que fazer um documentário que deveria ter, no máximo, 10 minutos.

Minha primeira dificuldade foi encontrar um tema interessante e, ao mesmo tempo, acessível, já que o tempo era curto. Demorei demais nessa parte, até que achei um assunto de interesse público que me chamou a atenção: a procura de mulheres sem condições por uma laqueadura.

A segunda dificuldade foi na elaboração do roteiro. Se trabalhasse mais uma semana só nisso, acho que conseguiria fazer algo bem mais interessante de se assistir. Falo em uma semana porque não tenho o hábito e, portanto, nem o ritmo para criar um roteiro para vídeo.

O problema seguinte foi na edição. Usei o Movie Maker e estava encantado em como um produto Microsoft funcionava maravilhosamente bem sem aparecer aquelas telas de “executou uma operação ilegal e será fechado”. Ele não travou nenhuma vez. Palmas para a turma do Bill Gates!

Então, eis que o monitor de visualização do programa parou de funcionar e não consegui mais ver como o vídeo estava ficando. Fui pesquisar na rede alguma solução, mas não encontrei absolutamente nada. Cheguei a um blog que apresentava um tutorial do software, mas os caras lá não permitiam comentários de quem não fosse do clubinho. Neste momento, entrou em ação a experiência de usuário Windows… sei lá porque motivo, mas quando tirei a tela com o título inicial voltou tudo a funcionar… Por isso, meu vídeo começa direto, sem aquela telinha com um nome, bem bonita.

Era hora de publicar no Youtube. Baixei a qualidade, mas tentei não diminuir muito, ou não ia dar para ver quase nada. Fiz o upload e aparentemente tinha dado tudo certo, até que, depois de alguns minutos, apareceu uma mensagem dizendo que o vídeo era grande demais. E ai, mais um problema em relação ao que me foi pedido… extrapolei os 10 minutos. O VÍDEO ESTÁ MUITO LONGO! Assim como na matéria anterior, me faltou poder de síntese.

Creio que ainda não fiz um trabalho multimídia de verdade no curso. A linguagem ainda segue os padrões tradicionais, mas entendo que é tomando pau que uma hora vou acertar, fazendo algo enxuto e ao mesmo tempo, rico em conteúdo. (mas vai demorar… esse texto aqui, por exemplo, deveria ter, no máximo, 10 linhas…)      :(

De qualquer forma, foi um grande exercício.

Posso afirmar que estou hoje mais capacitado para encarar os desafios do Jornalismo 2.0 do que antes do curso.

***

AGRADECIMENTOS:

- Aproveito para agradecer a Vanusa, por ter driblado a vergonha das câmeras e dividido comigo um problema particular;

- A professora Jaqueline Lubianca, que me atendeu prontamente por duas vezes e tirou todas as dúvidas que eu pudesse ter sobre o assunto (igualmente, espero ter conseguido reproduzir esse sentimento no vídeo, esclarecendo as dúvidas de quem assisti-lo).

- Obrigado também a Margarida Roncatto, do Hospital de Clínicas, pela agilidade em me conseguir os contatos necessários.

POR FIM…

– Castilho, obrigado pela oportunidade. Aguardo tuas observações!

Publicado por: andreroca | Agosto 23, 2008

Sobre a reportagem multimídia

O penúltimo exercício do curso Jornalismo 2.0 do Knight Center tinha algumas exigências que não pude cumprir. Primeiro, a data de publicação era 11 de agosto. Dá para notar que passei um pouco do prazo. Culpa da Olimpíada, claro, mas também da minha teimosia em não fazer algo muito básico. Acabei entrando de cabeça em uma história que me tomou mais tempo do que era esperado.

Segundo, o texto deveria “seguir os parâmetros jornalísticos (novidade, ineditismo, objetividade, isenção e contextualização)”. Bom, novidade, creio que para a maioria dos leitores é. Inédito, igualmente. Objetivo, espero que sim. Isento, nem um pouco. Como a nossa área de atuação deveria ser o bairro (não obrigatoriamente, mas convenientemente), escolhi uma história cujo desfecho eu pude acompanhar muito de perto. Um dos apartamentos do prédio que quase pegou fogo é, hoje, meu lar. Não era na época do incêndio, mas eu já era assíduo freqüentador da rua. Digamos que “namorava o bairro”.

Terceiro, o post deveria estabelecer uma relação com os visitantes. Não o fiz no anterior, mas faço neste, dando estas explicações e dizendo que estou curioso pelas observações sobre o conteúdo.
Por fim, espero que o esforço tenha valido a pena. Com certeza, com mais tempo daria para escrever, no mínimo, mais três páginas. Mas não é o propósito neste momento.

Boa leitura.

Espaço nobre

Espaço nobre

O bairro Menino Deus é uma das áreas mais procuradas por construtoras em Porto Alegre para novos investimentos. Cada metro quadrado da região é disputado por algumas centenas de milhares de reais. Por isso, causa estranheza a existência de um terreno baldio na Rua Saldanha Marinho. Muitos que por ali passam projetam naquele espaço nobre dominado pelo mato um edifício ou mesmo a casa própria.

João Pedro Medeiros Rosa, zelador

João Pedro Medeiros Rosa, zelador

– Acho que é um desperdício. Eu faria uma casa pra poder morar. Pelo menos cuidava – diz João Pedro Medeiros da Rosa, 50 anos, zelador do Edifício Cadiz, na mesma rua (Escute a entrevista completa – 1min21s – 1,24MB).

Ao contrário de Pedro, que mora no bairro há 12 anos, poucos conhecem a trágica história de quem ali já habitou.

No terreno, de aproximadamente 350 metros quadrados, havia no passado uma casa metade de alvenaria metade em madeira. Era uma morada simples, com paredes e janelas pintadas em um tom amarelo claro, mas de qualidade. Tinha todos os móveis necessários para o conforto das pessoas que abrigava. No jardim da frente, um pouco descuidado, algumas flores eram cultivadas. Nos fundos, um galpão feito de tabuões servia de depósito.

A família era pequena: pai, mãe e filha. O patriarca pouco tempo conviveu com a herdeira, de nome Aline. Embalado pelo álcool, saiu cedo de casa e nunca mais voltou. A mãe, uma funcionária pública que sofria de distúrbios mentais e acabou se aposentando por invalidez, acusou o golpe. Não se sabe se ele foi o motivo, mas é fato que, na medida em que os anos sem o companheiro passavam, ela piorava. Até o ponto de ganhar dos vizinhos o apelido que a acompanharia pelo restante dos dias no Menino Deus: Louca.

A alcunha não era simplesmente por maldade dos demais moradores. Pelo contrário. Muitos tentaram ajudá-la. Mas o fardo era grande demais para ser carregado por quem nem parente era. Desistiram quando a própria vizinha se tornou agressiva e passou a ameaçar quem aparecesse pelo caminho.

Certa vez, sem qualquer motivo aparente, ela atirou pedaços de tijolos em carros estacionados em uma garagem duas casas ao lado da que habitava. Em outra oportunidade, entrou no bar que existia na esquina com a Avenida Erico Verissimo e pediu por algo. Como estava sem dinheiro, não foi atendida. Prontamente, quebrou a vidraça da porta do estabelecimento e saiu caminhando, como se nada tivesse acontecido. Para o filho do comerciante, importunado outras dezenas de vezes pela mulher, foi a gota d’água. Em fúria, ele saiu atrás dela e a agrediu nas costas com uma voadora, golpe em que se salta com as duas pernas no ar.

A reação violenta do rapaz foi representativa. Indicava o nível de estresse vivido não só por ele, mas por toda a vizinhança quando em convívio com a mulher.

A relação com os vizinhos tinha se tornado explosiva. Por vezes, a mulher parava em frente a uma casa, geralmente aquela em que alguém tinha acabado de entrar, e começava a bradar palavrões. Não importava quem fosse, ainda que casadas e idosas fossem as mais visadas.

Acompanhando tudo isso, Aline, a filha, foi crescendo. Ao atingir a adolescência, se distanciou de amigos de infância e ingressou no universo dos entorpecentes. Caminho geralmente sem volta para quem não tem estrutura familiar. E Aline, a essas alturas, não tinha. Sequer podia contar com a mãe e muito pouco sabia do pai.

Foi em uma briga em casa que Aline e a mãe teriam se agredido. Uma teria atirado algo na outra. Acabaram acertando a televisão e o aparelho pegou fogo, incendiando a casa. Por pouco, o prédio ao lado, com seis apartamentos, também não foi atingido.

Transição - de classe média para indigente

Transição - de classe média para indigente

Mesmo com a casa praticamente destruída, a mulher ainda tentou morar ali. Mas foi por pouco tempo. Abandonou o local, deixando para trás uma história de conflitos e a filha, então com 19 anos, grávida de quatro meses do namorado de 22.

Necessitando de cuidados especiais, mas sem muita escolha, Aline se mudou para o galpão dos fundos, pois a casa não tinha mais condições de ser habitada. Começou a viver como indigente. Dependia das doações dos outros para ter o que comer e o que vestir. Drogada, não arranjava trabalho. Quando arrumava um bico, não conseguia manter por muito tempo.

A criança nasceu, mas foi retirada da mãe pelo Conselho Tutelar antes de completar um ano de vida por total falta de cuidados. Não havia condições de se criar um bebê naquele ambiente insalubre. Sem banheiro, as necessidades eram feitas no chão. Sem eletricidade, os banhos eram sempre de água fria, mesmo no gelado inverno porto-alegrense.

Aline amava a filha e queria um futuro para ela. Por isso, sem qualquer perspectiva, deixou que a levassem.

O namorado foi embora, o tempo passou e, um dia, Aline apareceu com um novo companheiro. Este, também dependente químico, se mudou para a peça de madeira na Rua Saldanha Marinho. Passava o tempo inteiro em frente ao terreno, como se montasse guarda. Sempre com um pano embebido em cola de sapateiro ou com uma garrafa de cachaça em mãos. Não trabalhava e nem queria, mas tentava cobrar, mesmo de moradores, quando estes deixavam os carros em frente às casas. Arrumava confusão todos os dias.

Aline, nessa época, saía de casa sem rumo pela manhã. Voltava à noite, sempre chapada. Nessas andanças pelas ruas da Capital, conheceu o casal Cleusa e Dalberon Arami Oliveira, donos de uma lavagem de carros.

– Ela passava em frente à lavagem todos os dias, ficava olhando. Um dia resolvemos dar um oi, ela respondeu. Aos poucos começamos a ajudá-la. Até o dia em que tentamos levá-la para um centro de recuperação de dependentes químicos, mas ela se revoltou. Quem acabou indo foi o namorado. Ficou só uma semana – conta Dalberon.

Sem ajuda, o casal continuou no meio da miséria. Mas já não estavam mais sozinhos. De repente, os habitantes do terreno foram aumentando. Além da dupla humana, apareceram dois vira-latas, que em pouco tempo tiveram quase uma dezena de filhotes.

Se já não havia comida para as pessoas, os animais também penaram por fome. Assim, durante a noite, os latidos incessantes dos cachorros ecoavam numa rua ainda mais escurecida pela sombra das árvores. Até que gritos vindos do casebre sem luz se juntaram à aflita sinfonia. Aline estava apanhando do companheiro.

A polícia foi chamada diversas vezes, mas Aline era complacente. Deixava o namorado voltar sempre. E assim seguia a vida dos dois, num companheirismo bandido, que permitia violência e drogas, e convivia com a fome diariamente.

Mas Aline era uma boa pessoa. E, por isso mesmo, uma professora, moradora das proximidades, chamou para si a responsabilidade pela sobrevivência daquela menina. Mandou construir uma casa pequena, de alvenaria, com quarto/cozinha e banheiro. Nem uma semana após a mudança, o galpão de madeira, que antes servira de morada, desabou durante um temporal. O casal havia escapado da morte. Mas esta seguia por perto, sempre à espreita, e cada vez mais iminente.

O golpe de misericórdia naquela vida desestruturada veio quando Aline descobriu que tinha contraído o vírus da AIDS. Se já era magra quando morava com a mãe e secou ainda mais após ficar em situação de pobreza extrema, quase desapareceu depois de infectada. A impressão que passava era de que se quebraria em pedaços caso tropeçasse e caísse. Mas ela foi valente. Resistiu o quanto pode. Até que, um dia, não quis mais tomar os remédios que mantinham a doença sob controle.

O corpo fraco não agüentou e entrou em colapso. A professora tratou de encaminhar Aline para um hospital. Lá, localizaram a mãe morando em uma casa na zona sul da Porto Alegre e entregaram o que restava da filha. Era só uma questão de tempo.

Aline, então, voltou a ter um pouco de conforto. Teve um quarto, uma cama, teve comida. Mas, mesmo que estivesse sob o mesmo teto, ela seguia sem ter o mais essencial de tudo: uma mãe.

Um dia, uma visita sentiu um cheiro estranho na casa nova. Perguntou por Aline. A mulher respondeu que a filha dormia… há cerca de três dias. Aline já estava morta. Morreu desamparada, num vazio igual ao que deixou no terreno da Rua Saldanha Marinho.

O terreno hoje em dia

O terreno hoje em dia

Publicado por: andreroca | Agosto 14, 2008

Podcast #1 – O celular como ferramenta jornalística

Um dos principais tópicos em discussão no módulo 3 do curso Jornalismo 2.0 foi o uso de celulares como ferramenta jornalística. Se os computadores têm nos auxiliado a modificar a forma como produzimos e entregamos o conteúdo para o público, a utilização dos telefones móveis para os mesmos fins está fazendo a revolução em cima da revolução.

>>Escute (1min50s – 1,68MB)

Publicado por: andreroca | Agosto 14, 2008

Buscas na web

No exercício 5, do módulo 2 do curso Jornalismo 2.0, tínhamos que fazer uma análise comparativa dos cinco primeiros resultados de uma busca sobre cura do stress em alguns sistemas de pesquisa. Obviamente, as conclusões chegadas aqui são frutos de uma observação um tanto superficial. Um olhar mais crítico sobre o mesmo tema, certamente, apontará outras questões que não foram abordadas aqui.

***

Buscas na web

Uma pesquisa rápida pelas palavras “cura do stress” (sem as aspas) em oito sites de busca serviu para compreender melhor as diferenças entre os alguns dos mecanismos que dispomos na web hoje. A idéia de que o Google é sempre a melhor opção começa a se desfazer quando se sabe que há possibilidade de ter um resultado mais refinado usando-se outra página de busca (outra? que outra?).

Google, Yahoo, Altavista e MSN são considerados buscadores globais, ou seja, que vasculham a rede automática e constantemente para catalogar os sites usando como parâmetro as palavras que formam essa página. Além disso, há outras regras que vão particularizando e refinando esses buscadores. O Google, por exemplo, reconhece o bold como destaque e dá mais valor para palavras em negrito nas páginas vasculhadas, assim como dá visibilidade aos sites que acabam tendo mais cliques nas buscas.
Radar UOL, Clusty e DogPile, por outro lado, são meta-buscadores, ou seja, eles vão em outros buscadores e fazem um pacote com o cruzamento dos resultados. O DoPile também varre, por exemplo, provedores de conteúdo em áudio e vídeo (na quarta posição da nossa busca apareceu um vídeo do Youtube). O UOL também apresentou vídeos nos resultados.

Diferentemente dos demais, o Ask.com usa um critério próprio. A ferramenta elenca páginas que considera ser as mais populares, isto é, que têm mais link apontando para ela. Na nossa busca pela cura do stress, ela apresentou apenas páginas de sites italianos. Nenhum resultado em português – assim como o Clusty.

O fato curioso dessa pesquisa foi que Yahoo! e Altavista apresentaram exatamente os mesmos resultados, o que não ocorreu com os demais. Além disso, apenas um site conseguiu aparecer mais de duas vezes. No caso, o Saúde Vida On Line foi encontrado em cinco buscadores, sendo que por três vezes na terceira posição (nos globais Google, Yahoo e Altavista), uma na primeira (no compilador Radar UOL) e uma na quarta (no MSN).

>> Veja a tabela com os resultados obtidos.

Publicado por: andreroca | Agosto 11, 2008

Editando fotos com o Irfanview

Nunca tinha utilizado o Irfanview para editar fotos. Descobri a ferramenta no curso Jornalismo 2.0. Achei muito fácil baixar e instalar.

Na hora de usar, me atrapalhei um pouco com os recursos de corte, pois esperava encontrar uma opção “colar como nova figura”, ou algo do gênero, na hora de colar o que havia recortado.

Fora isso, achei o programa extremamente leve e prático. Poderia ter uma versão em português, claro. Mas não houve problemas.

Só peço desculpas por não acrescentar fotos jornalísticas ou com algum significado para alguém mais além de mim. Essas ai são pessoais. Manuela e eu, em momento de descontração.

Manuela

Essa foto foi recortada. A outra, redimensionada

Publicado por: andreroca | Julho 28, 2008

Web 2.0 e o caos criativo

O que é a web 2.0?
- O que é web 2.0?
- O quê?
- Você sabe o que é web 2.0?
- O que é isso? Nunca ouvi falar!

O diálogo ao lado é real. A rápida conversa foi com uma professora de ensino fundamental de uma das escolas mais conceituadas de Porto Alegre. Ela tem computador em casa com conexão banda larga, usa celular de última geração, pen drive e mp3 player, e está pensando em comprar um notebook. No trabalho, orienta os alunos em atividades no computador. Mas ainda que costume navegar pela rede pelo menos uma vez por dia para visitar sites, ler e enviar e-mails e se comunicar via instant messengers, ela não se enquadra no que poderíamos definir como “heavy user”. Para ela, web 2.0 e RSS, por exemplo, são termos estranhos, sem significado. Blog, para ela, só como leitora.

Antes de iniciar essa reflexão, procurei por alguém com uma visão ou comportamento antagônico ao meu. Uma pessoa neutra, cujo trabalho não dependesse da rede ou mesmo que não estudasse a web como um fenômeno de massa. E a partir da resposta que obtive nessa singela pesquisa sem qualquer caráter científico, me questionei se a web 2.0 – como eu, um modesto observador da internet de ontem e de hoje, e um entusiasta da internet de amanhã, também tenho chamado – tem modificado o perfil dos usuários daquela que seria a web 1.0, ou se seriam os utilizadores de primeira viagem que estariam ingressando nesse cenário já diferenciado e, por causa das facilidades, usufruindo das ferramentas que estão disponíveis para criar essa rede mais interativa?

É um terreno arenoso, pois ao passo em que não se pode excluir uma evolução dos internautas – todos acabam se adaptando ao novo (ou a algo mais novo), creio eu –, também não podemos esquecer os milhares de novos internautas que surgem a cada dia. Esses, como já citado acima, já ingressam em um meio que os estimula a participar, a criar, a ser parte do todo. E, o mais incrível, é que o espaço para crescer é infinito.

As diferenças entre a web 1.0 e a 2.0 são muitas. Se começarmos pelo contexto, e sempre deixando a discussão em solo (rede?) brasileiro, cabe lembrar que nos tempos de web 1.0 as conexões eram em velocidade infinitamente inferior às atuais, os computadores tinham menos memória e, conseqüentemente, eram mais lentos, os softwares eram, geralmente, pagos (hoje já se encontra quase tudo em plataforma web, de graça), e o número de usuários era muito menor. Afora o chat, o avô das comunidades online como o Orkut, o internauta entrava em uma página e o máximo de interatividade que conseguia era, em alguns casos, preencher um formulário para enviar uma mensagem – que, dependendo do receptor, levaria mais de uma semana para ser respondida.

Comparação entre web 1.0 e web 2.0

Comparação entre web 1.0 e web 2.0

Ainda que alguns desmereçam o conceito 2.0, atribuindo a ele apenas uma jogada de marketing, a internet de hoje está, sim, mais atrativa e democrática. Os internautas têm se organizado em comunidades, têm produzido muito conteúdo de qualidade (e antes apenas recebiam esse conteúdo), e têm utilizado cada vez mais os serviços disponíveis. Contudo, acredito que vivemos em um período de caos – de acordo com o Houaiss, na tradição platônica, o estado geral desordenado e indiferenciado de elementos que antecede a intervenção do demiurgo, por meio da qual é estabelecida a ordem universal. Há muita coisa sendo “jogada” na rede como experimento. O que vai sobreviver disso tudo? Alcançaremos a “ordem universal” na internet? Provavelmente, só saberemos quando chegar a vez da web 20.0! E olhe lá…

Publicado por: andreroca | Julho 28, 2008

Os desafios do jornalismo 2.0

Na onda da web 2.0, o jornalismo de internet vai aos poucos ganhando um novo formato. Além de agregador de mídias, ele é agora, mais do que nunca, um jornalismo participativo. O internauta deixa de ser somente a fonte do jornalista para se tornar também (co)autor de textos, vídeos, áudios, ilustrações e tudo que possa servir como fonte de informação.

E com esse jornalismo 2.0, surgem também novos desafios. Como lidar com essa participação crescente no dia a dia corrido das redações? Até que ponto o jornalista está preparado para essa relação com um internauta que cobra imediatismo e credibilidade? Qual o papel do repórter nesse contexto? Cerca de 10 anos depois da consolidação da internet, como se preparar para as mudanças que ainda virão?

Essas e outras perguntas tentaremos responder ao longo das próximas semanas, durante o curso Introdução ao Jornalismo 2.0: Oportunidades e Desafios na Era Digital.

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